TraderTraitor: conheça o grupo hacker suspeito de roubar a Binance

Roubo contra a Binance pode ser o recorde de valores desviados no setor. Foto: Adobe Stock

O roubo bilionário registrado contra a corretora de criptomoedas Binance já tem um possível suspeito. Trata-se de um grupo hacker chamado TraderTraitor, já de atuação conhecida pelas autoridades e por especialistas em cibersegurança.

A própria Binance segue investigando e colaborando com as autoridades, ainda sem chegar em um culpado. Além disso, os próprios invasores ainda não assumiram a autoria da operação criminosa realizada nesta quinta-feira (29), que resultou na apropriação de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas.

Roubo contra a Binance pode ser o recorde de valores desviados no setor. Foto: Adobe Stock

Porém, análises da Chainalysis e do TRM Labs identificaram evidências que apontam para os hackers estrangeiros, que já foram responsáveis por outros roubos parecidos, embora de menor proporção.

Em posicionamento enviado à imprensa na tarde desta sexta-feira (30), a BBrasil SPSAV LTDA., entidade da Binance que atende os usuários brasileiros, defendeu que os fundos dos clientes permanecem seguros. De acordo com a empresa, foram reservados mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir o que a companhia chamou de “incidente”.

Na nota, a marca se desculpa com os clientes e ainda pontua que “em um cenário que exista impacto, a Binance cobrirá todas as perdas diretamente relacionadas a este incidente com recursos próprios da empresa”. Confira, ao final da matéria, o posicionamento completo da Binance.

Quem é o TraderTraitor

O TraderTraitor é um grupo de cibercriminosos de origem norte-coreana que já atua há alguns anos e é monitorado ao menos desde 2022 por autoridades dos Estados Unidos, que atribuíram esse codinome aos invadores.

  • Ele é um provável desmembramento do Lazarus, quadrilha invasora que fez vários roubos de grandes proporções há alguns anos e foi responsável por alvos como a Sony Pictures;
  • De acordo com acusações dos EUA, grupos hackers da Coreia do Norte usam a verba roubada para benefícios ao próprio país, como o financiamento de compra e desenvolvimento de armas e tecnologia nuclear;
  • Esse grupo já teria realizado outros ataques antes contra empresas de criptomoedas, como a japonesa DMM Bitcoin, a Atomic Wallet e a Bybit;
  • Neste último caso, que é o mais famoso atribuído ao TraderTraitor, foram roubados mais de US$ 1,4 bilhão em fundos — e semelhanças no modo de atuação dos criminosos para invadir o sistema e transferir os fundos é o que leva as análises a apontarem o grupo como suspeito.

O TraderTraitor também é conhecido por fazer ataques complexos, que se aproveitam de múltiplas brechas e possuem um grande período de preparo antes da invasão propriamente dita.

Esses passos incluem engenharia social para comprometer contas ou aparelhos de funcionários, para só então prosseguir com o roubo propriamente dito.

“Nossa investigação inicial sugeriu que o incidente de segurança pode ter envolvido um laptop comprometido, no entanto, nossa investigação subsequente revelou pontos adicionais de violação”, disse a Binance em comunicado no X.

Conforme detalha a Wired, a análise da TRM Labs e da Chainalysis sugere que a maior parte dos valores foi desviada em cerca de 20 minutos. A extração partiu carteiras da Binance em pelo menos dez diferentes blockchains, incluindo Bitcoin, Ethereum, Tron e Solana.

Os fundos foram enviados a múltiplos endereços controlados por um único atacante. A rapidez das transferências teria sido precedida por ao menos 36 horas de preparação, com testes antes da execução do roubo.

Recuperação e reembolso

A Binance ainda não encontrou evidências de vazamento de chaves privadas de carteiras e diz ter os fundos suficientes para não prejudicar clientes.

Além disso, ela garante que já congelou parte do valor movimentado e até já recuperou algumas das criptomoedas roubadas, embora transferências rápidas e pulverizadas entre múltiplas carteiras sejam feitas para dificultar esse rastreamento.

Segundo a agência Reuters, o Departamento Federal de Investigação (FBI) e o Serviço Secreto dos Estados Unidos estão trabalhando com a Binance para entender o caso.

Posicionamento da Binance

Confira, abaixo, o comunicado na íntegra enviado pela Binance aos veículos de imprensa do Brasil:

“Diante das notícias recentes sobre o incidente de segurança envolvendo a Binance Global, a BBrasil SPSAV LTDA., entidade da Binance que atende os usuários brasileiros, confirma que os fundos de seus clientes permanecem seguros. Além de observar os requisitos de segregação estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, os ativos virtuais são mantidos em cold wallets (carteiras frias), agregando uma camada adicional de segurança e reforçando o compromisso da BBrasil SPSAV com a proteção dos ativos de seus clientes.

Além disso, já reservamos mais de US$ 6,34 bilhões em recursos para cobrir este incidente, sendo US$ 5 bilhões mantidos exatamente nos tokens impactados. Em um cenário que exista impacto, a Binance cobrirá todas as perdas diretamente relacionadas a este incidente com recursos próprios da empresa, incluindo o fundo SAFU. Não há nenhuma evidência de vazamento de chaves privadas de qualquer carteira.

Como medida preventiva e conforme informado anteriormente, os saques de ativos virtuais estão temporariamente suspensos enquanto realizamos uma verificação minuciosa de segurança. Os depósitos e a atividade normal da plataforma não foram afetados. Todos os demais serviços da plataforma continuam funcionando normalmente, e retomaremos as operações de saque assim que o processo de verificação for concluído.

A segurança dos ativos virtuais dos clientes continua sendo a maior prioridade da Binance, que se compromete a permanecer plenamente comprometida com a manutenção de padrões rigorosos de segurança para garantir a total confiança de todos os clientes.

É possível acompanhar as últimas atualizações na área de anúncios do site da Binancee também nas mídias sociais verificadas.

Estamos trabalhando com autoridades policiais, emissores, empresas de inteligência de blockchain e parceiros do setor para rastrear, congelar e recuperar fundos. Cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados on-chain até o momento, graças aos nossos parceiros de blockchain.

Próximos passos:

  1. Status dos saques: assim que o serviço for restabelecido com segurança
  2. Nosso relatório completo do incidente: um relatório técnico detalhado, publicado assim que a investigação for concluída e cada fato for verificado.
  3. Prova de Reservas: publicada após a remediação, possivelmente na segunda-feira (2/11), para que você possa verificar por conta própria que nenhum saldo de usuário foi afetado.

Transparência não é algo que fazemos quando é conveniente, é como demonstramos que nosso compromisso com os usuários é absoluto: fundos protegidos, serviço restabelecido e a demonstração do nosso trabalho por meio de uma Prova de Reservas independente.

Obrigado pela compreensão e lamentamos quaisquer inconvenientes durante este período.

Pedimos sinceras desculpas aos usuários por qualquer inconveniente causado”.

Acesse a seção de cibersegurança em nosso site e continue informado sobre o mundo da proteção digital! /Com informações de FirstPost e Wired.

Tecnologia

Veja também